Sugestões para o desenvolvimento do Caravanismo Brasileiro

A modalidade caravanista, ligada ao campismo, compreende os proprietários de veículos de recreação como campers, trailers e motorhomes, que levam seu próprio abrigo (casa sobre rodas) ao longo de suas viagens, ocupa atualmente um estágio embrionário (inicial) na atividade econômica e no segmento turístico brasileiro.

Como referência, na Europa e EUA, a modalidade caravanista representa uma grande parcela da atividade econômica movimentando diversos segmentos como fabricantes dos veículos de recreação, revendedores, oficinas de manutenção e reparação, locais de hospedagem (campings e parques), supermercados, restaurantes, farmácias, atrações turísticas, artesanato, entre diversos outros pontos.

 

O Brasil já vivenciou um alto nível de desenvolvimento da modalidade por volta das décadas de 80 e 90, mas por diversos fatores não prosperou.

 

Em um passado não tão distante, por volta do ano 2015, a modalidade voltou a apresentar sinais de recuperação e conquistou visibilidade, alavancada em 2020 com a Pandemia de COVID-19 pois muitas pessoas identificaram a possibilidade de viajar levando seu próprio abrigo, ficando fora de aglomerações, buscando maior proximidade com a natureza e deixando de realizar viagens de avião e hospedagem em hotéis.

Ocorre que com o aumento da frequência na atividade, surgiram os problemas decorrentes a falta de infraestrutura e políticas públicas.

Para piorar, por falta de um projeto unificado de desenvolvimento nacional, atitudes isoladas de alguns municípios e leis do código de trânsito nacional são apresentadas de forma desconectada e causam um impacto negativo e avassalador para o desenvolvimento da modalidade.

PODEMOS ALAVANCAR OU MATAR O CARAVANISMO BRASILEIRO SE NÃO CRIARMOS UM PROJETO ÚNICO E ESTRUTURADO PARA O SEGMENTO.  

Por conta disso, eu Ronald Luis Ferreira Ataulo, caravanista ativo, venho por meio deste, registrar os pontos que considero essenciais para um caminhar seguro e prospero para a modalidade.

Para facilitar o entendimento deste documento, apresentarei abaixo quais são os problemas identificados pela modalidade e quais as sugestões de melhoria.

 

Item 1

Problema: Falta de locais de pernoite/hospedagem para os viajantes com veículos de recreação.

Sugestões:

  1. Implementar nas rodovias federais, nos POSTOS DE POLÍCIA FEDERAL, um número de vagas para pernoite dos veículos de recreação contemplando segurança, água, energia elétrica e área para descarte de detritos (Pontos de Apoio);

  2. Negociar e implantar, nas concessões de rodovias privadas, os pontos de apoio junto aos SAU´s (Serviço de Apoio ao Usuário) e a partir das renovações de concessão, estes sejam obrigatórios;

  3. Desenvolvimento nos municípios, sob orientação e incentivo dos governos federal e estaduais, de pontos de apoio com segurança, água, energia elétrica e área para descarte de detritos. Estes pontos de apoio municipais podem ser obrigatórios para todos os municípios classificados como estância turística;

  4. Obrigatoriedade para que todos os municípios brasileiros definam locais liberados para pernoite de veículos de recreação, sem restrição e sem nenhum tipo de cobrança ou taxa, seja ambiental ou ligada a estacionamentos obrigatórios, desde que respeitando o código de conduta caravanista. JUSTIFICATIVA: atualmente vemos diversos municípios criando dificuldade e restrições para o ingresso de veículos de recreação no município, exigindo autorização prévia e pagamentos de taxas, sob pena de multas altíssimas, totalmente desvinculadas ao código de trânsito brasileiro;

  5. Implantação do sistema de camping/pontos de apoio, dentro das áreas de PARQUES E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. JUSTIFICATIVA: o Brasil possui um forte potencial de ecoturismo e muitas regiões fazendo parte dos parques nacionais. Da mesma forma que as rodovias federais e estaduais podem conter os pontos de apoio, os PARQUES são destinos com potencial para receber visitantes do Brasil e do mundo.

 

 

Item 2

Problema: Código de Trânsito Brasileiro (CTB) impondo dificuldades e restrições para a condução dos veículos de recreação apoiado pelas diferentes entidades como INMETRO e ANTT.

 

Sugestões:

  1. (Passagem por balanças) Liberação dos veículos classificados como MOTORCASA da passagem pelas BALANÇAS RODOVIÁRIAS destinadas aos caminhões e veículos pesados. JUSTIFICATIVA: Os veículos de recreação são fabricados e devidamente registrados com seu PBT e TARA de forma que não existe a necessidade de repesagem constante;

  2. (Categorias da CNH) Esclarecimento dentro do CTB sobre as autorizações de condução de veículos do tipo MOTORCASA referente às diferentes categorias: B, C, D e E e os diferentes tipos de veículos como  campers, motorhomes e trailers;

  3. (Registro no INMETRO dos engates) Mudança de regulamentação e retirada da exigência junto aos fabricantes de engates perante o INMETRO para que todos as marcas e modelos dos veículos tenham seu devido registro e ensaios. A sugestão é homologar o fabricante realizando um conjunto de ensaios por amostragem e transferindo para o mesmo todas as responsabilidades jurídicas depois de homologado. JUSTIFICATIVA: atualmente os proprietários de reboques vem encontrando uma dificuldade muito grande para aquisição deste equipamento de primeira necessidade pois os fabricantes justificam não ter o produto homologado pois o investimento financeiro para sustentar a burocracia é extremamente elevado;

  4. (CMT dos veículos) Obrigatoriedade juntos aos fabricantes de veículos e importadores para que declarem no manual do proprietário a capacidade máxima de reboque de todos os veículos autorizados a rodar em território brasileiro, respeitando os mesmos padrões mundiais. JUSTIFICATIVA: atualmente, muitos veículos que rodam pelas estradas e ruas brasileiras declaram não poder rebocar nada, mas observando o mesmo veículo fora do Brasil ele possui uma capacidade máxima de tração (CMT). Esta falta de informação vem causando constantes problemas junto a fiscalização de trânsito;

  5. (Valores de pedágio) Atualmente os veículos motorhome e trailers pagam valores altos para passagem nos pedágios brasileiros tornando a modalidade extremamente custosa, por exemplo, um motorhome pequeno, montado sobre um chassi que possua rodado duplo traseiro, paga o mesmo valor do uso comercial, correspondente a dois veículos de passeio. Um veículo rebocando um trailer, paga o valor do carro mais 50% ou 100% de outro carro se o trailer for de 1 ou 2 eixos. JUSTIFICATIVA: Como medida de incentivo à modalidade, o governo poderia atribuir um valor único para todo veículo classificado como MOTORCASA, independente se motorhome com rodado duplo ou simples, ou trailer com um ou dois eixos.

 

 

 

Item 3

Problema: Falta de informações referente ao caravanismo brasileiro dentro dos órgãos de governo como Ministério do Turismo e Secretarias Estaduais e Municipais.

 

Sugestões:

  1. (Criação da pasta dentro do governo) Criação da modalidade caravanista oficialmente dentro do Ministério do Turismo com links para as Secretarias Estaduais e Municipais de Turismo, oferecendo aos viajantes todas as informações como pontos de apoio e locais públicos para hospedagem, regulamentos e informações gerais;

  2. (Definição das regras do segmento) Definição das REGRAS NACIONAIS DO CARAVANISMO definindo a política de comportamento da modalidade e autorizando a fiscalização dos municípios em aplicar multas para quem não estiver cumprindo às normas regulamentadas;

  3. Fornecimento de treinamento junto ao SEBRAE para o desenvolvimento de campings e pontos de apoio, públicos e privados;

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