Grupo Pé na Estrada: 27 anos de história no caravanismo paulista
Atualizado: há 7 horas
Muito antes do atual crescimento dos trailers e motorhomes no Brasil, associações estaduais já reuniam famílias, organizavam encontros e mantinham viva a cultura campista. Em São Paulo, uma dessas histórias começou em 1999 e continua sendo escrita até hoje.

O campismo brasileiro vive um momento de transformação.
Novos trailers e motorhomes chegam às estradas, surgem campings, eventos ganham público e cada vez mais pessoas descobrem uma maneira diferente de viajar e conhecer o Brasil.
É uma ótima notícia.
Mas, para entender o momento atual, também precisamos olhar para quem ajudou a manter essa história viva quando o caravanismo brasileiro era muito menor.
Durante muitos anos, foram as associações estaduais de campismo e caravanismo que reuniram famílias, organizaram encontros, estimularam viagens e criaram laços entre pessoas que compartilhavam a mesma paixão.
Elas fizeram isso quando não existia toda a visibilidade que existe hoje. E continuam fazendo.
É para reconhecer esse trabalho que o Bora Pro Camping inicia uma série de reportagens sobre as associações campistas brasileiras.
Nossa primeira parada é em São Paulo. E começamos colocando o Pé na Estrada.
Quando São Paulo decidiu formar seu próprio grupo
No final dos anos 1990, já existiam grupos organizados de proprietários de veículos de recreação em alguns estados brasileiros.
O questionário histórico respondido pelo atual presidente do Pé na Estrada, Edgar Lombardi, recorda organizações como Rodamundo, em Santa Catarina; Rancho Móvel, no Rio Grande do Sul; e Grupo dos Estradeiros, no Paraná.
São Paulo, apesar de possuir um número significativo de proprietários de trailers e motorhomes, ainda não contava com uma organização semelhante.
Foi nesse ambiente que começaram as conversas para reunir os campistas paulistas.
Um dos personagens daquela história foi Luiz Antonio Pinto Matheus, proprietário da Motor Trailer.

Ao conversar com o Bora Pro Camping, Luiz Antonio lembrou que a existência de grupos em outros estados ajudou a despertar a ideia de criar algo semelhante em São Paulo.
Foram realizadas reuniões com campistas em Pirassununga, no antigo Camping Santa Fé, em Itu, e posteriormente no Sítio do Guedinho, em Caçapava Velha.

O registro fornecido pelo Pé na Estrada confirma essa trajetória e conta que, depois das primeiras tentativas de organização, quase 30 equipamentos se reuniram no Sítio do Guedinho, em Caçapava Velha. Em 22 de maio de 1999, após duas assembleias, o grupo foi oficialmente fundado. Naquele encontro, uma votação escolheu o nome Pé na Estrada.
Wellington de Moraes Junior assumiu como o primeiro presidente do Pé na Estrada, iniciando uma trajetória que atravessaria gerações de campistas e caravanistas paulistas e chegaria aos dias atuais com a associação em plena atividade.
Luiz Antonio resume de maneira muito simples o que movia aquelas pessoas:
“A ideia sempre foi difundir o campismo.”— Luiz Antonio Pinto Matheus

E a relação com a Motor Trailer continuaria. Segundo seu relato ao Bora Pro Camping, durante os primeiros anos os aniversários do Pé na Estrada foram realizados nas instalações da fábrica.
É uma lembrança que ajuda a dimensionar como o caravanismo daquela época foi construído: campistas, associações, campings e empresas do setor cresceram muito próximos uns dos outros.


O Pé na Estrada cresceu, mas manteve sua essência
Vinte e sete anos se passaram.
Hoje, o Grupo Pé na Estrada informa possuir 237 sócios efetivos. A comunicação entre os integrantes acontece também pelos grupos de WhatsApp, mas são os encontros presenciais que continuam sendo o grande momento de integração.

Atualmente, são quatro encontros oficiais durante o ano, além de programações extras:
Aniversário do grupo, entre abril e maio;
Festa Italiana, em Santa Rita do Passa Quatro, em julho;
Romaria, em Aparecida, em outubro;
Confraternização, em Socorro, em dezembro.



São encontros feitos de trailers e motorhomes, naturalmente. Mas também de jantares, passeios, brincadeiras, conversas e reencontros.
Há ainda uma característica importante: o lado social.
A associação não possui fins lucrativos e informa que, nos encontros, procura desenvolver uma ação social em benefício de alguma instituição indicada pela prefeitura da cidade anfitriã.

É justamente essa combinação entre campismo, amizade, convivência e compromisso coletivo que ajuda a explicar por que uma associação atravessa gerações.
Por que as associações estaduais precisam ser valorizadas
Talvez este seja o ponto mais importante desta reportagem.
O crescimento acelerado do caravanismo trouxe novos grupos, encontros independentes e também empresas especializadas na promoção de eventos.
Esse movimento é parte natural de um mercado que cresceu e ganhou novos participantes. Mas há uma história anterior que merece ser reconhecida.
Durante décadas, quando o caravanismo brasileiro ainda era pequeno, as associações estaduais estavam lá. Mantiveram calendários de encontros, reuniram famílias, receberam novos campistas, promoveram ações sociais e ajudaram a manter as pessoas conectadas.
E continuam mais vivas do que nunca.
O próprio Pé na Estrada observa hoje a multiplicação de encontros organizados por grupos não oficiais e aponta diferenças entre entidades associativas, sem fins lucrativos e com atuação social, e iniciativas organizadas com finalidade comercial.
Não é necessário transformar essa diferença em uma disputa. Há espaço para os novos grupos, para empresas promotoras, para novos formatos de encontros e para as associações tradicionais.
O crescimento do campismo é grande o suficiente para todos.
O que não podemos fazer é permitir que a velocidade desse crescimento apague a contribuição de quem ajudou a manter o caravanismo vivo durante tantos anos.
Valorizar as associações estaduais é preservar uma parte importante da memória do campismo brasileiro.
Representação e convivência: cada entidade tem seu papel
Também é importante compreender que as entidades do campismo possuem papéis diferentes e complementares.
A ANACAMP, como associação de abrangência nacional, atua na representação institucional dos interesses do campismo e do caravanismo.
As associações estaduais estão muito próximas da vida cotidiana dos campistas: são encontros, confraternizações, viagens, grupos de comunicação, ajuda mútua e amizades que atravessam anos.
Uma dimensão cuida da representação. A outra mantém viva a convivência.
O próprio Pé na Estrada relata a troca de informações com outros grupos estaduais e com a ANACAMP, participando de reuniões e também de encontros promovidos por entidades coirmãs.
Quanto mais essas organizações conversarem e caminharem juntas, mais forte será a comunidade campista brasileira.
“Somos a família Pé na Estrada”
Quando perguntamos ao presidente Edgar Lombardi qual convite gostaria de fazer a quem ainda não conhece a associação, sua resposta não falou de estrutura, benefícios ou números.
Falou de pessoas:
“Venham participar do grupo, pois, além de amigos, somos a família Pé na Estrada.”
Talvez essa frase explique melhor do que qualquer definição o motivo de essas associações permanecerem ativas depois de tantas décadas.
E explica também por que o Bora Pro Camping decidiu começar uma nova série editorial dedicada a elas.
Vamos conhecer associações de diferentes estados, recuperar suas histórias e apresentar as pessoas que ajudaram — e continuam ajudando — a construir o campismo brasileiro.
Começar pelo Pé na Estrada tem também um significado pessoal.
Sou paulista e associado ao Pé na Estrada. É o grupo do qual faço parte como campista.
Por isso, antes de percorrermos o Brasil contando a história de outras associações, começamos por casa.
Depois de 27 anos, há muita estrada percorrida.
E muita estrada ainda pela frente.
Conheça um pouco mais do Pé na Estrada
Mais do que conhecer sua história, o melhor caminho para entender o espírito do Pé na Estrada é se aproximar de quem faz parte dele.
Acompanhe os encontros, conheça as atividades da associação e descubra como fazer parte dessa comunidade de campistas e caravanistas de São Paulo.
Site oficial: Grupo Pé na Estrada
Instagram: @grupo_penaestrada.oficial
Sobre esta reportagem
Redação: Ronald Ataulo — Bora Pro Camping
Informações e colaboração:
Edgar Aparecido Lombardi — Presidente do Grupo Pé na Estrada
Luiz Antonio Pinto Matheus — Motor Trailer
A reportagem foi produzida a partir de informações institucionais fornecidas pelo Grupo Pé na Estrada e de relatos de pessoas que participaram de sua história.
Bora Pro Camping — Informação, história e valorização do campismo brasileiro.





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